Os maiores desafios de um residente de cirurgia cardiovascular

Para se formar cirurgião cardiovascular o médico deve cumprir várias etapas de estudo e trabalho. Inicialmente é preciso realizar a residência médica em cirurgia geral. No Brasil, a residência em cirurgia geral como pré-requisito à cirurgia cardiovascular leva dois anos - após esse período o profissional recebe o título de cirurgião geral.

A formação do médico cirurgião cardiovascular continua com a residência médica de quatro anos em um serviço credenciado. Durante esse período, o residente participará das operações cardiovasculares realizadas em crianças e adultos. Se houver interesse em se aprofundar em algum tema específico, o médico residente poderá ainda pleitear acompanhamento em diferentes áreas como arritmias cardíacas, cirurgia de cardiopatias congênitas, transplante de coração e outras. No total a residência deverá ser cumprida em no mínimo 6 anos.

No momento há diversos serviços que oferecem vagas para residência em cirurgia cardiovascular. Entretanto, recomenda-se que o médico recém-formado se intere adequadamente desses serviços, adotando algumas atitudes:

  1. visite o local escolhido e converse com antigos residentes;

  2. procure saber o número de operações realizadas nesses locais;

  3. pesquise sobre a formação dos profissionais preceptores e resultados cirúrgicos.

É fundamental que seja proporcionada ao residente a possibilidade de estudar e realizar trabalhos científicos na área. Acompanhar os serviços durante determinado período vai te ajudar a fazer a escolha certa.

Grandes desafios devem ser superados durante a formação de um cirurgião cardiovascular. No período de residência médica será necessário muitas horas dedicadas aos estudos com a finalidade de conhecer adequadamente as técnicas operatórias e as doenças cardiológicas mais comuns. Eu considero que as operações para correção de cardiopatias congênitas verdadeiros obstáculos a ser vencido, pois o profissional deverá estar apto a tratar crianças com baixo peso e problemas que estão associados à alta morbidade e mortalidade.

Habitualmente o médico residente em cirurgia cardiovascular cumpre diversas horas de trabalho diário, participando de cirurgias longas e complexas, que exigem alto poder de concentração e organização. Sendo assim esse profissional precisa cuidar de sua saúde adequadamente, evitando abusar da alimentação inadequada e se privando de fundamentais horas de descanso.

As pessoas que devem se submeter a operações cardiovasculares estão inseguras e com medo. Por isso, o médico residente deverá aprender a lidar com esse tipo de situação, ajudando os pacientes com o melhor de si, levando segurança e apoiando o paciente e seus familiares. Recomenda-se que o residente tenha momentos para se exercitar e cuidar de sua saúde física e que possa pensar em si próprio, rever conceitos sobre a vida e a morte, além de cuidar também da sua parte psicológica e espiritual.

Ao longo da residência o médico terá oportunidade de tratar doenças da aorta, consideradas um desafio difícil e que se relacionam a altos índices de morbidade e mortalidade. Esses problemas afetam principalmente pessoas idosas, com vários problemas associados, e frequentemente devem ser tratados de forma rápida, o que leva às vezes ao sacrifício do profissional, diminuindo seu convívio familiar e suas horas de descanso. Mesmo assim exige-se desse profissional segurança e decisão para lidar com cirurgias de grande porte, longas e acompanhadas de alta mortalidade. Todo cuidado é pouco para obter resultados satisfatórios.

O cirurgião cardiovascular deve ser um líder

Essa é uma necessidade desafiadora. É fundamental para esse profissional o trabalho em equipe e a convivência com diferentes pessoas em suas mais variadas áreas. Ele deve saber ouvir, mas também emitir opiniões fomentadas e bem embasadas na teoria e na prática. Além disso, um cirurgião cardiovascular deve influenciar outros a praticar o bem por meio de ações e exemplos, se inteirar e entender todos os detalhes relacionados com as cirurgias, ou seja, todos os processos que envolvem os procedimentos devem ser pensados e resolvidos. Para isso é fundamental organização e força de vontade. O cirurgião cardiovascular deve entender de mecânica e física para que possa ajudar no desenvolvimento de órteses e próteses para melhor atender seus pacientes.

Desafios maiores à profissão

Outro desafio é o tratamento da insuficiência cardíaca. Essa doença está em franco crescimento na população mundial. Há diversas opções para aliviar o sofrimento das pessoas com essa condição, cada qual com seus riscos e benefícios. Máquinas que substituem o coração ou o ajudam a exercer suas funções, por exemplo, foram desenvolvidas por vários cirurgiões cardiovasculares. Levando sua experiência e vontade de contribuir para a qualidade de vida das pessoas, esses profissionais trabalham em equipe com engenheiros, projetistas e médicos. O resultado até o momento é o desenvolvimento de corações artificiais e dispositivos de assistência ventricular que são implantados aos milhares pelo mundo afora.

Para o tratamento da insuficiência cardíaca o transplante de coração é uma área que o cirurgião cardíaco se destaca. Desde a década de 60 esse procedimento vem, cada dia mais, sendo realizado com sucesso. É um desafio e uma maravilha humana a realização de tal proeza médica, ou seja, retirar um coração de uma pessoa e colocá-lo batendo no peito de outra em menos de quatro horas, tempo máximo para que o resultado seja satisfatório.

O médico que tem vontade de trabalhar nessa área com certeza terá muitas alegrias, mas também viverá muitas noites sem dormir e muito estresse durante as operações. Porém, participar ativamente e contribuir para que o paciente que sofre tenha mais qualidade de vida e possa desfrutar momentos de alegria com seus amigos e familiares é algo indescritível.

Por Dr. Cláudio Gelape