Os benefícios da meditação para o coração e a mente

A confluência da neurociência e os modelos de rede computacional, que analisam as frequências de ondas, está começando a revelar a arquitetura complexa do cérebro humano.

Um estudo desenvolvido pela revista Frontiers in Human Neuroscience (clique aqui para ler o estudo completo em inglês), realizado com 13 voluntários, prova que a meditação - um processo de relaxamento, bem como uma espécie de atenção seletiva a um alvo específico enquanto inibe o pensamento irrelevante - quando praticada constantemente, pode regular os batimentos cardíacos e aumentar a coerência do coração, levando a pessoa a atingir atenção focada, autoconsciência, regulação e a transcendência.

Meditação autogênica: grupo de estudo

O estudo foi feito com 7 mulheres e 6 homens que, durante 8 semanas, praticaram a meditação autogênica, uma técnica de relaxamento criada pelo psiquiatra alemão Johannes Schultz. A técnica consiste em seis exercícios padrões: o relaxamento muscular, a concentração focada passivamente em sentir-se quente, a tranquilização da atividade cardíaca, a respiração mais lenta, o calor na região abdominal e, finalmente, o relaxamento da cabeça. A prática doméstica dos exercícios por pelo menos três vezes ao dia também foi incentivada.

Relaxando o coração e a mente

Além da busca por padrões de conectividade cerebral durante a meditação, outro índice explorado no estudo foram as regiões periféricas do cérebro que também sofreram alterações com a prática.

Um desses novos índices periféricos, a coerência cardíaca (ou seja, a regularidade do ritmo cardíaco), tem sido fortemente relacionado à respiração lenta e emoção positiva, que também são a essência central da meditação.

Herbert Benson, cardiologista da Universidade de Harvard, mostrou a relação entre meditação e doenças cardíacas através de diversos estudos e livros publicados (veja seu trabalho clicando aqui). Ele relatou que a meditação reduz a pressão sanguínea e a frequência cardíaca, além de aumentar a saturação de oxigênio no sangue, facilitando um efeito homeostático (de equilíbrio) corporal, o que ele chamou de “respostas de relaxamento”.

As ondas cerebrais levando ao autoconhecimento

Embora ainda não exista uma teoria cerebral global à vista, e os mecanismos fisiológicos que fazem gerar as atividade das ondas alfa ainda não são conhecidos (nosso cérebro emite cinco frequências de ondas, as ondas alfas são as de relaxamento profundo), há algumas evidências de repouso do cérebro que é positivamente associado com o alto desempenho da função cerebral. O poder de repouso das ondas cerebrais pode refletir a habilidade de uma pessoa em construir uma filtragem de atenção altamente eficiente. Também pode predizer o envelhecimento saudável e vários sintomas mentais como dor, estresse e ansiedade.

Já a coerência cardíaca pode ser um marcador cardíaco para o estado meditativo, uma vez que está fortemente relacionada com as atividades de onda cerebral. O que se espera é que o aumento da coerência cardíaca e as ativações da onda cerebral levem à sincronia do cérebro cardíaco, o que ajudaria a recuperar a sincronia fisiológica dos órgãos.


Fonte: http://journal.frontiersin.org/article/10.3389/fnhum.2013.00414/full