Existe mesmo relação entre as doenças do coração e o Alzheimer?

Uma doença ainda misteriosa para a ciência e para os familiares que convivem com pessoas nessa condição, o Alzheimer acomete inicialmente a região cerebral responsável pela memória, raciocínio e linguagem. No que tange os assuntos do cérebro, a racionalidade é a principal característica deste órgão. Perder a noção de racionalidade deve ser doloroso principalmente para o paciente, que deixa de discernir ações básicas para a sobrevivência humana.

Coração e cérebro sempre inflamaram discussões filosóficas entre razão e emoção. Mas agora um estudo científico americano mostra que essa dupla, tão importante no desenvolvimento humano, também pode estar relacionada às doenças cardiovasculares e cerebrais.

Vários estudos e muitos questionamentos

Larry Sparks foi um cientista-pesquisador no Banner Sun Health Research Institute, no Arizona, que dedicou-se a estudar a doença de Alzheimer (AD). Uma de suas pesquisas relacionam a patologia às doenças cardíacas. Sparks concluiu que pessoas com colesterol alto ou que sofreram doenças do coração, como por exemplo o infarto do miocárdio, tinham mais chances de desenvolver Alzheimer.

No estudo Link Between Heart Disease, Cholesterol, and Alzheimer’s Disease: A Review (em tradução livre para o português “Relação entre doenças do coração, colesterol e a doença de Alzheimer”) Larry e outros cientistas apresentaram o resultado de experimentos que fizeram com coelhos, provando que as doenças do coração são predominantes em pessoas que desenvolveram Alzheimer.

Segundo Sparks, nos testes realizados, os animais que haviam sofrido alguma doença do coração, ou que tinham colesterol alto, apresentavam também acúmulo de beta amiloides, uma proteína produzida em pequena quantidade pelo cérebro, mas encontrada em maior quantidade (formando placas) em pessoas com Alzheimer. Essa formação de placas beta amiloides levam à alteração nas sinapses, o primeiro estágio de uma série de eventos que resultam na perda de neurônios e nos sintomas da doença.

Além disso, os pesquisadores descobriram que a rigidez da artéria - conhecida como aterosclerose - também está associada ao acúmulo de placa de beta amiloide no cérebro, o  que, segundo o pesquisador Timothy Hughes, da Wake Forest University, leva à percepção de que o envelhecimento do processo vascular pode predispor ao aumento da produção dessas placas no cérebro. Ou seja, mais uma prova de como as doenças do coração estão relacionadas às doenças do cérebro.

Conexão: Coração e cérebro

Cardiologistas e neurologistas estão começando a perceber que a saúde do cérebro e a do coração não são tão independentes como imaginavam, pelo contrário, elas se correlacionam. Porém, ainda é preciso muita pesquisa para entender como as doenças do coração impactam o cérebro levando-o à demência.

Em um estudo feito pela Universidade do Texas, pesquisadores observaram o desenvolvimento das placas de proteína beta amiloide no cérebro de 81 idosos sem demência. Mediram também a rigidez das artérias, avaliando a velocidade com que o sangue se move através delas - um processo chamado velocidade da onda de pulso. Ao longo de dois anos, o percentual de pacientes com as placas no cérebro aumentaram de 48% para 75%. A conclusão que os pesquisadores chegaram foi de que o aumento na produção da proteína estava associada à rigidez da artéria.

A importância desse estudo é mostrar que podemos ser capazes de prevenir ou adiar a manifestação do Alzheimer através do controle adequado dos fatores de risco cardíaco. Reduzir esses riscos quer dizer alimentar-se saudavelmente, praticar atividades físicas, evitar stress, cigarros e bebidas alcoólicas, para manter a pressão arterial e o colesterol em níveis normalizados.