Desmistificando a anestesia

Até hoje a prática da anestesia é alvo de vários comentários fantasiosos e falsos, que só servem para infundir medo e temor na população em geral. Para entender melhor o que acontece antes e durante uma operação, e para conhecer as respostas certas para muitas dúvidas sobre a ANESTESIA, leia este artigo, escrito pelo meu amigo Dr. Wagner Fernandes Júnior, médico Anestesiologista.

O que é a anestesia e quem a aplica

Anestesia é o estado de total ausência de dor e outras sensações durante uma operação, exame diagnóstico ou curativo. Ela pode ser geral, isso é, paralisa o corpo todo; ou parcial, também chamada regional, quando apenas uma região do corpo é anestesiada. Sob o efeito de uma anestesia geral, você dorme. Com anestesia regional você pode ficar dormindo ou acordado, conforme a conveniência, embora parte de seu corpo fique anestesiada.

A anestesia dura o tempo necessário para que o cirurgião faça seu trabalho. Oferece ainda a remoção completa da dor por tempo variável após o procedimento. Ela é aplicada por médicos especialistas, chamados Anestesiologistas, que cursaram a Faculdade de Medicina por seis anos e mais três anos, no mínimo, de especialização. Esses médicos não só aplicam a anestesia, mas cuidam de você durante toda a operação e além dela.

Todo esse cuidado é para que você se sinta seguro e sem sofrimento enquanto o cirurgião faz seu trabalho com tranquilidade. O médico anestesista é o verdadeiro guardião de sua vida e estará ao seu lado durante todo o tempo da cirurgia, mesmo que você não perceba ou não se lembre de nada depois da anestesia.

Os tipos de anestesia

Existem diversos tipos de anestésicos gerais e locais. Todos proporcionam anestesias adequadas. A escolha do anestésico varia com o tempo e o tipo de operação, com as suas condições físicas e emocionais.

Depois de conhecê-lo, avaliar seus exames pré-operatórios e saber a cirurgia proposta, O Anestesiologista indicará a melhor opção. Lembre-se: somente na consulta com ele é que todos os esclarecimentos serão feitos.

A visita ao médico Anestesiologista

Em uma consulta ao Anestesiologista obtém-se informações sobre a história clínica do paciente através de anamnese detalhada e direcionada pelo médico. Também é realizado exame físico visando principalmente as vias aéreas. Durante a avaliação clínica são verificados os aparelhos cardiovascular e respiratório.

Na consulta verifica-se o uso de medicamentos, vícios como tabagismo e drogas, pesquisa de alergias tanto medicamentosa quanto a alimentos, cosméticos, látex etc. O Anestesiologista pergunta sobre cirurgias prévias e antecedentes anestésicos, além de questionar se existe histórico de complicações. A pesquisa de medicamentos em uso é fundamental, mesmo o uso de fitoterápicos ou medicações homeopáticas deve ser relatado. Você tem o direito de escolher o seu Anestesiologista. Mas normalmente os hospitais possuem serviços de anestesia com os quais o seu cirurgião já está acostumado a trabalhar. Afinal, operação é trabalho em equipe, e todo médico gosta de uma equipe completa.

É importante que o paciente siga com cuidado as instruções pré-operatórias, para que o procedimento anestésico seja feito com sucesso e segurança.

O que acontece após a cirurgia?

Quando a cirurgia termina, o Anestesiologista suspende os anestésicos e inicia-se o processo de recuperação. Isso pode demorar alguns minutos ou algumas horas, dependendo da duração e do tipo da anestesia aplicada. Durante esse tempo, você estará sob cuidados de pessoal qualificado para evitar complicações e surpresas. Você ficará na sala de recuperação pós-anestésica, dentro do bloco cirúrgico, até estar completamente desperto ou recuperado. Uma pergunta que sempre deve ser lembrada: Quais são os riscos de uma anestesia? 

Por que então o medo da anestesia? Há medo do desconhecido e muitas divulgações alarmistas de raros acidentes. Por isso você deve exigir que somente um Anestesiologista qualificado o examine, oriente e faça sua anestesia antes da operação. Assim você pode evitar ou diminuir o medo da anestesia.

Este artigo foi escrito pelo Dr. Wagner Fernandes Júnior, médico Anestesiologista do Serviço de Anestesia do Hospital Socor e Título Superior de Anestesiologia da Sociedade Brasileira de Anestesiologia. Para mais informações acesse: www.sbahq.org.