Como atletas jovens podem ter arritmia cardíaca?

Com apenas 23 anos, o ex-jogador do Cruzeiro e da Seleção Olímpica Brasileira, Lucas Silva, foi recentemente diagnosticado com arritmia cardíaca e afastado de todas as atividades físicas pelo Real Madrid, seu atual clube, e das Olimpíadas 2016. Quem leu essa notícia pode ter se perguntado como um atleta jovem pode ter esse problema cardíaco e se ele voltará a jogar futebol algum dia.

Como demonstramos no nosso Instagram, o coração bate de acordo com os impulsos elétricos que recebe. A arritmia cardíaca é uma condição em que há uma irregularidade nesses impulsos, fazendo os batimentos ficarem mais rápidos (taquicardia) ou mais lentos (braquicardia) do que o normal (entre 60 e 100 batidas por minuto, quando em repouso).

Causas

A prática de exercícios de intensidade moderada sempre é benéfica para o coração, principalmente se feita de 3 a 5 vezes por semana. Exercícios de alta intensidade, porém, foram identificados como uma das causas da arritmia cardíaca. Por isso é importante sempre consultar seu cardiologista antes de iniciar ou aumentar a intensidade de atividades físicas, mesmo que você não tenha histórico de problemas cardíacos na família.

Uma doença no músculo cardíaco (miocárdio) também pode provocar vários tipos de arritmia. A doença pode ser de origem genética ou surgir graças a infecções que inflamam o miocárdio. Outras causas são:

- Anemia;

- Ansiedade, estresse e medo;

- Uso de pílulas para emagrecimento;

- Febre;

- Ventilação excessiva;

- Baixos níveis de oxigênio no sangue;

- Doença de válvulas cardíacas;

- Tireoide excessivamente ativa.

Entre os fatores de risco para o desenvolvimento da doença estão:

- Fumar (por causa da nicotina);

- Consumo excessivo de cafeína (presente em café, chá, chocolate e refrigerante);

- Consumo excessivo de bebidas alcoólicas;

- Uso de drogas estimulantes, como cocaína;

- Alguns medicamentos, incluindo aqueles para tratamento de tireoide, asma, pressão arterial alta ou problemas cardíacas.

Os sintomas

É importante ficar atento para sintomas, como palpitações, batimentos acelerados ou muito lentos, tonturas, desmaios, náuseas, vômitos e mesmo calores, frio e tosse seca. Pessoas com arritmia cardíaca também relatam incômodos no tórax, na garganta ou no pescoço.

Fazendo o diagnóstico

Para diagnosticar da forma mais precisa possível, o cardiologista analisará o histórico médico do paciente e pedirá alguns exames não invasivos, como exame físico e eletrocardiograma. Também pode ser necessário um monitoramento cardíaco por 24 horas, ecocardiograma, estudo eletrofisiológico (EPS) ou uma angiografia das coronárias.

Tratando a arritmia cardíaca

O tratamento da arritmia depende principalmente de sua causa. O médico é quem analisará e definirá o melhor tratamento para cada caso.

Felizmente, a maioria das arritmias é tratável. Inicialmente, como no caso do jogador Lucas Silva, a pessoa deve ser afastada de todas as atividades físicas, até mesmo das comuns e domésticas. Atualmente, dispomos de medicamentos bastante eficientes e que podem resolver as intervenções seletivas chamadas de ablação (ou cauterização do foco de arritmias). Em mais de 70% desses casos, a cura é definitiva.

Outro tratamento é o implante do marcapasso artificial para regular o ritmo cardíaco. Nesse caso, o portador deve evitar a maioria dos esportes, já que há risco de danificar o aparelho.

Prevenção


Para diminuir a chance de ter arritmia cardíaca, a pessoa deve reduzir o estresse, não fumar, praticar exercícios regularmente, ter uma dieta bem balanceada e pobre em gorduras (link para o LDL x HDL) e certificar-se de que a pressão arterial e o nível de colesterol estão controlados.